

Pessoal, Como alguns já sabem, ficarei por 4 meses e meio na França para fazer uma parte do meu doutorado. É o que se costuma chamar de Doutorado Sandwich. Esse Blog é destinado a esse periodo. E é para que as pessoas que me querem bem possam me acompanhar. Tentarei publicar as pessoas bacanas que encontrarei, os lugares que visitarei, os concertos a que irei etc. Enfim, para que possamos nos sentir mais próximos apesar da distância. Um grande abraço a todos, Tadeu












(continuação da postagem anterior)
Paris nos reserva algumas surpresas. Hoje, como estava um dia bonito e de sol, no caminho para o Ircam, decidi sair uma estação antes da que normalmente desço. E sair por uma saída pela qual ainda não saíra. E eis que, voilà, me deparei com um lindo parque, o Jardin des Halles. É um parque muito bonito, que dá frente para a Igreja de Santo Eustáquio (fotos 1 e 2 - reparem na foto 1 as pessoas ao sol se esquentando, como de frente ao Beaubourg.) É um parque muito bonito, onde os pais levam as crianças para brincar (foto 3); há um carrossel (foto 4) e o pessoal retraité (aposentado) se reune para jogar um jogo que mais se parece com a bocha (vídeo).
E, para mais uma grande surpresa de minha parte, eis que, tudo isso, todo esse imenso parque maravilhoso, está inteirinho, literalmente, em cima de um imenso Shopping Center de 3 andares subterrâneos (na foto 5, é a entrada do Shopping, que se chama Forum Les Halles). É assim que a cidade funciona: se na terra não tem mais espaço, faz-se subterrâneo mesmo....
(continua na próxima postagem)

Nessa última postagem do dia (Ufa....) gostaria de lhes apresentar o Arthur (foto 1). Ele é um amigo meu que fez Aliança Francesa lá no Cambuí, em Campinas. Desde que cheguei aqui, a gente só se falava pelo chat do gmail. E já combinamos mais de uma vez de nos encontrarmos, mas nada. Hoje, estava eu comendo tranqüilamente lá no Resto U, quando eis quem chega? Arthur. Se a gente tivesse combinado, talvez não teria dado certo; sem combinar rolou... Essa foto é em casa. Ele fez questão de vir aqui tomar um café.



Bom, acho que não é segredo de ninguém a grande paixão que tenho pelas árvores. Pois bem, as árvores que temos aqui na Europa são BEM diferentes das do Brasil. Em primeiro lugar porque, de uma maneira geral, as florestas tropicais tendem a ter uma enorme variedade de árvores com poucas espécies de cada uma delas; enquanto nas florestas temperadas, ou seja, das regiões mais frias do Globo, a diversidade diminui, porém a representividade aumenta (quer dizer, menos tipos de árvores, porém com mais indivíduos de cada espécie). E, também, de uma maneira geral, as árvores que temos nas regiões mais frias do Mundo são as coníferas, já adaptadas ao frio e que permanecem verdes o ano todo (por isso são chamadas, em inglês, por exemplo, de "ever green") e as árvores de folhas caducas. O fenômeno das folhas caducas não é exclusivo às árvores das regiões frias: elas ocorrem em algumas espécies brasileiras também: em um ou outro caso, as causas do caduquismo, apesar de aparentemente diversas, são as mesmas. No Brasil, algumas árvores, com destaque para as diversas espécies de ipês, perdem as suas folhas como uma forma de se defender do "inverno" brasileiro que é, na verdade, em muitas regiões, um período bastante seco do ano. As espécies caducas do Brasil são mais comuns nos ecossistemas do Cerrado e da Caatinga, justamente aqueles que passam por um período do ano onde a ausência de água é bastante acentuada. Perdendo as suas folhas, elas economizam a água que seria transpirada por elas (a perda de água pelas folhas é um resultado do processo de fotossíntese). Já nas regiões temperadas, as árvores perdem as suas folhas para se defenderem de três situações adversas à sua sobrevivência: o frio, a baixa oferta de luz solar e, por incrível que pareça, a baixa oferta de água, pois boa parte da água disponível está ou congelada ou inacessível às suas raízes. Ou seja, na realidade, a ausência de água em uma parte do ano é determinante para o comportamento das árvores caducas. Assim, com a chegada do frio, os bosques europeus vão ganhando tons de amarelo, vermelho e marrom. (foto 1: vista do meu quarto - destaque para o tom amarelado das árvores). Entre as árvores do meu "novo jardim", encontrei duas que gostaria de destacar pela sua beleza e comportamento ímpar: o Plátano e o Marronier. O primeiro é bem famoso: suas folhas estão na bandeira do Canadá. Porém há duas espécies: a americana e a européia. Provavelmente, na foto 2 (ao fundo -Maison du Brèsil), seja uma espécie européia (Platanus orientalis). O tom avermelhado das suas folhas anunciam a chegada do outono e, como não pode deixar de ser, do frio do inverno também. Já o Marronier (Aesculus hippocastanum), na foto 3 já com um tom amarronzado bastante pronunciado em suas folhas (é só comparar com o "ever green" que está ao seu lado na foto), é o que dá o fruto chamado de Marron (foto 4). Com esse fruto é que se faz o, voilà, "Marron Glacé", que nada mais é do que o fruto do marronier "glaçado". Daqui há algumas semanas eu vou voltar a tirar fotos das mesmas árvores e vocês verão como todas as suas folhas já se foram.





